Como fazer o cachorro obedecer
Por que não é questão de truque — e o que realmente funciona.
Comportamento
Coprofagia pode vir de uma verminose, do tédio ou de uma bronca que ensinou o cão a esconder a prova, e cada causa pede uma resposta diferente.

Você abre a porta da área de serviço e lá está ele, abanando o rabo, com o tapete higiênico limpo demais para quem acabou de fazer cocô. O nome disso é coprofagia, e acontece em muito mais casas do que os tutores costumam admitir. Quase sempre tem explicação e solução, desde que alguém descubra o motivo antes de sair testando dica.
O cachorro come as próprias fezes por razões médicas ou comportamentais. Do lado médico entram verminoses como a giárdia, má absorção de nutrientes, dieta desequilibrada, insuficiência do pâncreas, diabetes e outras condições que aumentam a fome. Do lado do comportamento aparecem tédio, ansiedade, busca de atenção, um hábito que começou na fase de filhote ou medo de bronca. O primeiro passo é sempre o veterinário. Com a saúde em ordem, o trabalho passa a ser de comportamento, e punir só piora.
| Grupo | O que pode estar por trás | Pista que costuma aparecer junto |
|---|---|---|
| Médica | Verminose (giárdia e outras), má absorção, insuficiência pancreática, diabetes | Fezes moles ou volumosas, emagrecimento, fome ou sede acima do normal |
| Nutricional | Dieta desequilibrada, troca recente de ração, porção pequena para o gasto do cão | Cão sempre caçando comida, revirando lixo |
| Comportamental | Tédio, ansiedade, busca de atenção | Acontece mais quando ele fica sozinho ou quando a casa está corrida |
| Aprendida | Bronca por fazer no lugar errado; hábito de filhote que ficou | Come rápido, às escondidas, ou assim que você se aproxima |
| Instintiva | Mãe que limpa a ninhada; filhote que explora tudo pela boca | Fase passageira, ligada aos filhotes ou aos primeiros meses |
Muda bastante. Quando o cão come só as próprias fezes, logo depois de fazer, o veterinário costuma começar pela digestão e pela alimentação, inclusive pela fome acima do normal, e o profissional de comportamento olha a rotina da casa. Quando ele come fezes de outros cães na calçada ou na pracinha do condomínio, o risco sanitário sobe: é assim que se pegam giárdia e outros vermes, e um filhote sem a vacinação completa fica exposto a vírus como o da parvovirose, que é eliminado nas fezes.
A caixa de areia do gato atrai muitos cães porque a ração felina é mais rica em gordura e proteína. Nesse caso, mudar a caixa de lugar costuma resolver antes de qualquer trabalho de comportamento.
Pode fazer. O cão se reinfecta com os próprios parasitas, pega os de outros animais e, se havia uma doença por trás, ela segue sem diagnóstico enquanto a família trata o hábito como mania. Há também a convivência: um cão que lambe o rosto das crianças depois de comer fezes vira um problema de higiene da casa inteira. Coprofagia que se repete merece consulta, mesmo que o cão pareça ótimo.
Nenhum por conta própria. Existem produtos que alteram o gosto das fezes, mas eles só fazem sentido com indicação do veterinário, depois de descartada uma causa médica, e sozinhos raramente encerram um hábito que tem motivo emocional. Os truques caseiros que circulam por aí, como espalhar pimenta, limão ou outros temperos nas fezes, podem irritar a boca e o estômago do cão e deixam a causa intocada. Se há verme, quem trata é o veterinário, com o produto e o intervalo certos para aquele cão. O texto sobre vermífugo para cachorro explica como funciona essa rotina.
O cão leva bronca, ou tem o focinho esfregado, por ter feito cocô no lugar errado. O que ele associa é a cena inteira: fezes à vista e tutor chegando dão problema. A saída que encontra é fazer a evidência sumir depressa. Em poucas semanas você tem um cão que come as fezes assim que termina, de preferência quando ninguém está olhando, e que fica tenso toda vez que alguém entra na área de serviço.
Gritar no flagra produz o mesmo efeito por outra via. Para alguns cães, até a atenção de uma bronca é melhor do que nenhuma, e o hábito vira um jeito infalível de fazer o tutor largar o celular.
Por isso, antes de mudar qualquer coisa na rotina do cão, alguém precisa entender o que o hábito resolve para ele (fome, tédio, ansiedade, atenção, medo), e uma regra nova tirada da internet pula justamente essa etapa. Errar esse diagnóstico custa semanas e, no caso da bronca, deixa o cão mais ansioso do que estava.
Filhote explora o mundo com a boca, e muitos passam pela coprofagia sem que ela vire hábito. Dois sinais pedem atenção: o comportamento continuar depois que o filhote cresce, e vir acompanhado de fezes moles, barriga estufada ou dificuldade para ganhar peso, o que aponta para verminose. A janela de aprendizado do filhote é curta, então um hábito tolerado aos quatro meses pode estar firme aos dez. Se é o seu caso, leia sobre os primeiros meses de educação do filhote.
Coprofagia aparece na hospedagem de vez em quando, às vezes num cão que em casa nunca tinha feito isso. Ambiente novo, empolgação com o grupo e a ansiedade dos primeiros dias podem disparar o comportamento. Como a supervisão é humana e 24 horas, em áreas cercadas e monitoradas, quem está com o grupo vê o que acontece e não deixa a situação virar rotina durante a estadia. Se notamos o hábito, contamos ao tutor, porque ninguém gosta de descobrir uma coisa dessas só depois.
É também por isso que exigimos vacinas, antipulgas e vermífugo em dia de todos os hóspedes. Num espaço com muitos cães, uma verminose vira problema coletivo se a prevenção falha, e comer fezes é justamente uma das portas de entrada.
Quando o veterinário já descartou causa médica e o hábito continua, o assunto é comportamento. No adestramento, o profissional investiga o que sustenta o hábito e mexe na rotina e no aprendizado do cão com reforço positivo e condicionamento clássico e operante, que dispensam punição. Para os casos que pedem mais tempo, o intensivo dura 40 dias, com 60 aulas; no final, o adestrador faz três visitas à casa da família, que é onde o hábito acontece.
O veterinário liberou e ele continua comendo fezes? Conte como é a rotina do seu cão e indicamos o formato de adestramento que faz sentido para ele.
Anote quando o comportamento acontece (logo depois de fazer, quando fica sozinho, só na rua) e leve uma amostra fresca das fezes se o veterinário pedir. Essas duas informações ajudam a separar o que é saúde do que é rotina.
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Recolha as fezes e marque consulta para descartar verminose, problema de absorção ou de dieta. Evite bronca, que ensina o cão a comer mais rápido e escondido. Com a saúde em ordem, procure um profissional de comportamento para descobrir o que o hábito resolve para ele.
Não recomendamos. Pimenta, limão e outros temperos podem irritar a boca e o estômago e não tratam a causa. Qualquer produto para mudar o gosto das fezes deve ser indicado pelo veterinário.
Na maioria dos casos, sim. Quando a causa é médica, o hábito costuma diminuir com o tratamento; quando é comportamental, melhora com mudança de rotina e trabalho profissional. Os casos que se arrastam geralmente são aqueles em que a causa nunca foi identificada.
Pode, nos dois sentidos: a verminose pode provocar o hábito, e o hábito espalha vermes. Por isso exame de fezes e vermífugo em dia, sempre com orientação do veterinário, fazem parte da investigação.
É comum, porque filhote explora tudo com a boca, e em muitos casos passa com o crescimento. Fique atento se continuar depois dessa fase ou vier com fezes moles e dificuldade para ganhar peso.
A ração de gato é mais rica em proteína e gordura, o que torna as fezes atraentes para muitos cães. Colocar a caixa de areia fora do alcance do cão costuma resolver; se ele também come as próprias fezes, converse com o veterinário.
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