Cachorro com diarreia
Causas comuns e os sinais que indicam emergência.
Cuidados
O carrapato marrom adora o calor carioca e vive até em apartamento. O que ele transmite e como manter o cão protegido o ano todo.

Fevereiro, termômetro passando dos 35 graus, e o tutor encontra um carrapato no cachorro que mal saiu do apartamento. O carrapato marrom do cão, o mais comum na cidade, gosta de calor e vive nas frestas de rodapés, muros, garagens e áreas comuns. Além de incomodar, ele transmite as infecções que todo mundo chama de doença do carrapato.
Doença do carrapato é o nome popular de infecções do sangue transmitidas pela picada do carrapato, principalmente a erliquiose (bactéria Ehrlichia), a babesiose (protozoário Babesia) e a anaplasmose (bactéria Anaplasma). Os sinais mais comuns são febre, apatia, falta de apetite, gengiva pálida, manchinhas roxas ou sangramentos (pelo nariz, por exemplo) e emagrecimento. O diagnóstico depende de exames de sangue, e o tratamento indicado pelo veterinário costuma ter boa resposta quando começa cedo. A prevenção é o antiparasitário em dia o ano inteiro, junto com o controle do ambiente.
O carrapato infectado transmite o microrganismo enquanto se alimenta do sangue do cão, uma refeição que dura horas a dias. Quanto antes ele morre ou é retirado, menor o risco. Existe ainda a hepatozoonose, em que o cão se infecta ao engolir o carrapato, por exemplo ao se coçar com a boca.
A maior parte da vida do carrapato marrom acontece fora do cão. A fêmea cai, põe milhares de ovos em frestas e, semanas depois, larvas e ninfas sobem pelas paredes atrás do próximo hospedeiro. Por isso tratar só o animal raramente resolve uma infestação. E a doença passa de um cachorro para outro? Pela convivência, não: é preciso um carrapato que pique o infectado e depois o outro. Numa casa com carrapatos no ambiente, porém, todos os cães estão expostos e todos precisam de proteção.
| Fase | O que acontece | Sinais |
|---|---|---|
| Aguda (primeiras semanas) | A bactéria se multiplica e derruba as plaquetas | Febre, apatia, falta de apetite, ínguas, às vezes sangue no nariz |
| Subclínica | O cão parece recuperado, mas a infecção continua | Poucos ou nenhum sinal; exames podem mostrar plaquetas baixas |
| Crônica | A medula óssea é afetada | Anemia, emagrecimento, sangramentos, infecções repetidas, alterações nos olhos e nos rins |
A fase subclínica engana muitos tutores: o cão melhora sozinho da febre, o tutor esquece o carrapato e, meses depois, surge um quadro mais difícil. Se o seu cão teve carrapato e ficou uns dias abatido, conte isso ao veterinário mesmo que ele já pareça bem.
Para checar a gengiva, levante o lábio do cão com o dedo, de preferência com luz natural. Gengiva branca, muito pálida ou amarelada pede veterinário no mesmo dia. Se quiser entender melhor os sinais de febre, temos um guia sobre como saber se o cachorro está com febre.
Na maioria dos casos tem tratamento eficaz, principalmente com diagnóstico na fase aguda. O veterinário define o medicamento e o tempo de tratamento conforme o agente identificado, e casos graves podem exigir internação e até transfusão de sangue. Na fase crônica, a recuperação é mais lenta e pode deixar sequelas. Ter tido a doença não deixa o cão imune: ele pode se infectar de novo sempre que voltar a ter carrapatos.
O diagnóstico usa hemograma (as plaquetas costumam cair), observação do sangue ao microscópio, sorologia e PCR para hemoparasitas, que procura o material genético de Ehrlichia, Babesia e Anaplasma. Um exame isolado nem sempre fecha a questão, e o veterinário pode repetir ou combinar testes.
Quem procura saber o que o carrapato odeia encontra receitas com vinagre, alho, óleos e cânfora. Nenhuma delas substitui um antiparasitário registrado, e várias irritam a pele ou intoxicam o cão (alho é tóxico para cães). O produto certo, seja comprimido, pipeta ou coleira, e o intervalo de reaplicação são escolhidos com o veterinário, conforme idade, peso e saúde do cão. Nunca use produto de uso agrícola ou feito para outra espécie. Pulgas e carrapatos costumam ser tratados juntos, e o nosso texto sobre pulga em cachorro explica por que a constância importa.
As formas mais comuns de doença do carrapato em cães raramente afetam pessoas. Carrapatos também transmitem a febre maculosa, doença grave em humanos com casos registrados no estado do Rio. O principal transmissor é o carrapato-estrela, comum onde há capivaras e cavalos, e o cão pode trazer esses carrapatos para casa depois de um passeio em gramados, trilhas ou sítios. Se alguém da família tiver febre e mal-estar dias depois de contato com carrapato, procure atendimento médico e conte isso.
Num lugar onde convivem dezenas de cães, um único hóspede com carrapatos pode virar problema de todos, porque o carrapato que cai no chão segue o ciclo e procura o próximo cão. Por isso, aqui no Gute, só hospedamos cães com vacinas, antipulgas e vermífugo em dia, e pedimos ao tutor que confirme quando foi a última aplicação. Com cada hóspede protegido, os cães podem rolar na grama dos 44 mil m² de área verde e nadar na piscina com menos risco.
Se algo escapa, a supervisão humana de 24 horas ajuda a perceber cedo. Um cão que fica quieto num canto ou recusa a refeição chama a atenção da equipe, que avisa o tutor e aciona o suporte veterinário quando necessário. Antes da entrega, o hóspede ganha o banho de retorno, quando a pelagem é trabalhada do focinho à ponta do rabo.
Se o cão vai para hotel, sítio ou casa de praia nas férias, confirme antes que a proteção dele cobre todo o período, porque esquecer a reaplicação no meio da viagem é um descuido comum no verão.
Antes de deixar o seu cão com a gente, consulte a lista do que pedimos na entrada, das vacinas aos antiparasitários.
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Febre, apatia, falta de apetite, gengiva pálida, manchas roxas, sangramentos e perda de peso são os mais comuns. Se o cão teve carrapato e apresenta esses sinais, procure o veterinário.
As formas mais comuns em cães, como a erliquiose canina e a babesiose, raramente afetam pessoas. Mas carrapatos podem transmitir a febre maculosa, por isso o controle no cão e no ambiente protege toda a família.
Pela convivência, não. A transmissão depende de um carrapato que pique o cão infectado e depois outro. Se há carrapatos no ambiente, todos os cães da casa precisam de proteção.
O tratamento é definido pelo veterinário depois dos exames, porque depende do agente e da fase da doença. Não use antibiótico ou outro remédio por conta própria: remédio errado ou tratamento interrompido favorecem recaídas.
Na erliquiose, os primeiros sinais costumam surgir de uma a três semanas depois da picada, mas podem ser discretos. Se o cão teve carrapato e mudou de comportamento ou apetite, procure o veterinário.
Pode. A infecção não deixa o cão imune, e o risco volta sempre que ele tiver contato com carrapatos infectados, por isso a prevenção precisa ser contínua.
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