Cachorro vomitando amarelo
O que pode ser e quando procurar o veterinário.
Cuidados
A doença tem casos no estado do Rio e é transmitida por um mosquito miúdo. O que mudou no tratamento e como proteger a casa toda.

Feridas na ponta das orelhas que não fecham, unhas que crescem rápido demais, um cão que vai emagrecendo sem mudar a dieta. Juntos, esses sinais costumam levar o veterinário a pedir um exame de leishmaniose, doença que tem casos no estado do Rio de Janeiro e também atinge pessoas.
A leishmaniose visceral canina é causada por um protozoário do gênero Leishmania e transmitida pela picada do mosquito-palha, um inseto pequeno que pica ao entardecer e à noite. A transmissão depende do mosquito; o convívio entre cães, ou entre cão e pessoa, não transmite a doença. Os sinais mais comuns são emagrecimento, descamação e feridas na pele (orelhas, focinho e ao redor dos olhos), unhas crescidas, ínguas aumentadas e apatia, mas muitos cães infectados passam muito tempo sem sintoma. Existe tratamento autorizado no Brasil, sempre com o veterinário, e a prevenção consiste em impedir a picada.
O mosquito-palha, também chamado de birigui ou cangalhinha, se infecta ao picar um animal doente e transmite o parasita na picada seguinte. Na cidade, o cão é o principal reservatório. O inseto é miúdo, claro, voa baixo e em pequenos saltos, e se cria em solo úmido com matéria orgânica: folhas acumuladas, frutos caídos, fezes de animais, galinheiros. Por ser tão pequeno, atravessa telas de malha comum.
No estado do Rio, além da forma visceral, há registros da leishmaniose tegumentar, que provoca feridas na pele e nas mucosas e também pode afetar cães. Quem define a forma e a conduta, em cada caso, é o veterinário.
| Onde aparece | O que observar |
|---|---|
| Pele e pelo | Descamação parecida com caspa, feridas na ponta das orelhas e no focinho, falta de pelo ao redor dos olhos |
| Unhas | Crescimento exagerado, unhas compridas e curvas |
| Corpo | Emagrecimento, perda de massa muscular, ínguas aumentadas |
| Olhos e nariz | Conjuntivite, sangramento pelo nariz |
| Órgãos internos | Alterações nos rins e no fígado e anemia, que aparecem nos exames |
| Comportamento | Apatia, cansaço, menos vontade de brincar |
Entre a picada e os primeiros sinais podem se passar meses ou até anos. Nesse período o cão parece saudável e, mesmo assim, pode infectar mosquitos. Por isso, em regiões com casos, o veterinário pode indicar exames periódicos mesmo sem sintoma.
O veterinário combina o exame clínico com testes sorológicos (como o teste rápido e o ELISA) e, quando necessário, exames parasitológicos ou PCR. Um resultado positivo costuma ser confirmado por outro método antes de qualquer decisão. Exames de sangue e de urina mostram como estão rins e fígado, o que orienta o tratamento. A leishmaniose é acompanhada pela vigilância em saúde, e o veterinário orienta sobre as comunicações necessárias.
Desde 2016 existe no Brasil um medicamento veterinário registrado para tratar a leishmaniose visceral canina, prescrito e acompanhado por médico-veterinário. O tratamento costuma controlar a doença e devolver qualidade de vida, mas não elimina o parasita do organismo. O cão segue infectado e precisa de acompanhamento contínuo e de proteção permanente contra o mosquito, para não virar fonte de infecção. Tratar cães com remédios de uso humano é proibido.
A eutanásia deixou de ser o único caminho quando o tutor opta pelo tratamento com acompanhamento veterinário. A decisão, difícil, é tomada com o veterinário, considerando o estado clínico do cão e as orientações da vigilância em saúde do município.
A vacina contra leishmaniose disponível no país teve fabricação e venda suspensas pelo Ministério da Agricultura em 2023, então pergunte ao veterinário qual é a situação hoje antes de contar com ela. Mesmo quando estava à venda, ela nunca dispensou o repelente.
No Rio, a atenção aumenta em casas com quintal perto de encostas e matas e nos sítios e casas de serra para onde a família leva o cão no feriado. Como o mosquito-palha voa baixo e por distâncias curtas, o risco se concentra perto de onde ele se cria.
Como a transmissão depende do mosquito, um cão com leishmaniose em tratamento não passa a doença aos outros pela convivência, nem na brincadeira. O grupo fica protegido quando cada cão está com a proteção antiparasitária em dia, e por isso exigimos vacinas, antipulgas e vermífugo atualizados de todos os hóspedes. Se o seu cão usa coleira repelente, pedimos que ela venha com ele e continue no pescoço dele durante a estadia.
Cães em tratamento contínuo ficam na hospedagem com cuidados especiais: a equipe administra a medicação nos horários prescritos, observa apetite, pele e disposição e aciona o suporte veterinário se algo mudar. Com supervisão 24 horas, é mais fácil perceber cedo uma ferida nova na orelha ou um cão que passou a comer menos, e o tutor acompanha tudo de onde estiver pelas fotos e vídeos que recebe todos os dias.
Se o seu cão faz tratamento contínuo, conte para a gente os horários e cuidados da rotina dele. A hospedagem com cuidados especiais foi pensada para esses casos.
Mosquito-palha e carrapato gostam do mesmo calor carioca. Se o seu cão vive perto de área verde, leia também o nosso texto sobre a doença do carrapato, outra infecção que começa discreta.
O que pode ser e quando procurar o veterinário.
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Não pelo contato, carinho ou lambida. Tanto o cão quanto a pessoa se infectam pela picada do mosquito-palha que antes picou um animal infectado. Por isso, proteger o cão contra o mosquito também protege a família.
Quando o tutor opta pelo tratamento com o medicamento veterinário registrado e acompanhamento contínuo, a eutanásia deixa de ser obrigatória. A decisão é tomada com o veterinário, levando em conta o estado do cão e as orientações da vigilância em saúde.
O tratamento controla a doença e pode devolver qualidade de vida, mas o parasita permanece no organismo. O cão segue em acompanhamento e com proteção repelente pelo resto da vida.
Podem ser discretos: descamação na pele, falta de pelo ao redor dos olhos, feridas na ponta das orelhas, unhas crescendo mais que o normal e emagrecimento. Diante desses sinais, procure o veterinário.
Pode, com tratamento acompanhado pelo veterinário e todos os cães da casa protegidos contra o mosquito. A transmissão não acontece por contato, mas um cão infectado sem repelente pode infectar mosquitos que depois picam os outros.
É o mosquito-palha, um flebotomíneo pequeno, de cor clara, que voa baixo e pica principalmente ao entardecer e à noite. O agente da doença é um protozoário do gênero Leishmania.
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